INDÚSTRIA E CONSUMO

Hábitos alimentares: familiares, sociais, culturais, étnicos, religiosos... 

Tacacá https://blogicarogomes2016.blogspot.com/2014/02/tacaca-patrimonio-cultural-do-para.html
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Queijo mineiro https://portal.iphan.gov.br/mg/noticias/detalhes/4578/exposicao-sobre-queijo-de-minas-e-inaugurada-no-serro-mg
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Já se perguntou de onde vem sua preferência alimentar

Por que comemos este ou aquele alimento?

"quasi todos os índios comem dessas cobras e de outras (...) não poupam aos sapos, lagartos, ratos e outros animais desse gênero"(...) "Há um certo peixe, a que chamamos de boi marinho, os índios o denominam iguaragua (...) é excelente para comer-se, (...) da sua gordura faz-se um molho que pode bem comparar-se à manteiga, e não sei se a excederá, e seu óleo serve para temperar todas as comidas." (ANCHIETA.1988. p.125) - Cartas Jesuíticas

Os hábitos e práticas alimentares de grupos sociais, práticas estas distantes ou recentes que podem vir a constituírem-se em tradições culinárias, fazem, muitas vezes, com que o indivíduo se considere inserido num contexto sociocultural que lhe outorga uma identidade, reafirmada pela memória gustativa. Tal reflexão encontra guaridas explicativas na obra A Invenção das Tradições, organizada por E. Hobsbawm e E. Ranger, com a segunda edição publicada em português, em 1997, a qual permite suporte teórico à questão das tradições culinárias" (SANTOS, 2005)

Fonte: https://www.historiadaalimentacao.ufpr.br/artigos/artigo001.htm 
Peneirando a massa da mandioca, que foi ralada no tipiti e prensada. Comunidade Matapi, no Alto Içana. Foto: Beto Ricardo, 1997 - Site https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Etnias_do_Rio_Negro
Peneirando a massa da mandioca, que foi ralada no tipiti e prensada. Comunidade Matapi, no Alto Içana. Foto: Beto Ricardo, 1997 - Site https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Etnias_do_Rio_Negro

Regimes alimentares/ Saúde/ Indústria de alimentos 

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"A coexistência da fome, da desnutrição, das deficiências de micronutrientes, do sobrepeso, da obesidade ocorrem, entre outras causas, devido à falta de acesso a uma alimentação saudável que forneça a quantidade de nutrientes necessários para levar uma vida saudável e ativa. O crescimento econômico e uma maior integração da América Latina e do Caribe nos mercados internacionais têm levado a mudanças nos padrões alimentares: observa-se uma diminuição em preparações culinárias tradicionais baseadas em alimentos frescos, preparados e consumidos no lar, e uma presença e consumo cada vez maior de produtos ultraprocessados com baixa densidade de nutrientes, mas alto conteúdo de açúcar, sódio e gordura. Esta mudança no padrão alimentar tem contribuído para a persistência da desnutrição em todas as suas formas e para a diminuição da qualidade de vida." FAO

Histórico: alimentos vem da natureza

Sabe-se que neste nosso território, a agricultura se expandiu a partir da região amazônica. Há provas arqueológicas de que algumas espécies alimentares consideradas agrícolas já eram consumidas por povos caçadores e coletores. (FUNARI; NOELLI, 2002. P.72-74). Segundo os autores, consumo de plantas e agricultura "não se confundem".

Nessa região, povos mongolóides[1] e paleoíndios[2] tinham maneiras distintas de se relacionar com as plantas. As populações mongolóides teriam desenvolvido práticas de agricultura ao passo que os paleoíndios não tinham a mesma relação de manejo com as plantas, ou seja, eles conheciam a função das plantas e as exploravam mas não do mesmo modo agrícola como faziam os mongolóides.

Há comprovação também de um momento anterior à agricultura, que seria o que chamamos de horta ou roça de coivara, caracterizado por "plantios feitos nos quintais das habitações (...) de espécies coletadas da floresta". O ser humano conhecia e coletava das florestas as plantas que lhe interessava e as trazia para perto para cultivá-las e utilizá-las.

Segundo as fontes arqueológicas (IDEM P. 75), das espécies mais cultivadas na região estão as tuberosas (mandioca, batata-doce, taiá, cará, caeté, e a araruta)[3] e as graníferas (milho, feijão, fava, amaranto, quina, amendoim, pimentão e pimenta). Também cultivavam abóboras e frutas, como pequi, coquinhos, nona e castanhas. As palmeiras podem ter sido espécies cultivadas em roças de coivara, pela oferta de alimentos como frutos e palmitos e outras matérias primas para artefatos.

Vestígios dessas plantas foram encontradas há pelo menos 10 mil AP em todo o território meso e sul americano (Peru, Equador, Panamá, Colômbia e região amazônica), revelando que eram consumidas antes mesmo do advento da agricultura de floresta tropical na região amazônica.

Segundo os autores, a agricultura melhorou e diversificou a alimentação dos seres humanos não somente pela oferta de elementos nutritivos dos quais cada planta é portadora, mas também porque as áreas cultivadas atraíam outros animais em busca de alimentos o que permitia às populações, pela captura desses animais, de obter mais comida além de uma certa quantidade de proteína animal e lipídeos importantes para a sobrevivência.

Durante toda a nossa trajetória enquanto humanidade aprendemos, dentre outras coisas, a interferir na natureza, conhecendo-a e utilizando-a para nossas necessidades. Foi assim que desenvolvemos diversas formas de relações com o meio que nos cerca. Intimamente ligada à alimentação e à sobrevivência, a agricultura foi o desenvolvimento de uma prática de dominação da natureza, ou seja, um conhecimento necessário para a manutenção e desenvolvimento dos povos. Mas não se limitou a isso. A agricultura, apesar de apresentar práticas comuns no mundo todo, foi um conhecimento construído de forma singular segundo as características e exigências locais. Cada região possuía sua flora e faunas nativas, seu solo, seu clima, ou seja, um conjunto de fatores que caracterizavam aquele meio. Cada população trazia em si conhecimentos construídos historicamente e herdados de seus antepassados juntamente com as experiências vivenciadas. A partir desse todo puderam desenvolver práticas específicas sobre determinadas atividades. Esse savoir-faire se consolidou através das gerações e foi determinante na relação de um povo com o seu meio e para a construção de sua identidade, de seu patrimônio cultural, seja ele material ou imaterial.

Segundo o próprio IPHAN, o conceito de patrimônio imaterial usamos para: "designar as referências simbólicas dos processos e dinâmicas socioculturais de invenção, transmissão e prática contínua de tradições fundamentais para as identidades de grupos, segmentos sociais, comunidades, povos e nações.[4]

Essa construção de identidades através de práticas e saberes construídos historicamente muitas vezes também estabelece relações com o meio natural. A preservação desse patrimônio de práticas e conhecimentos depende, em alguns casos, da preservação do meio natural, que por sua vez, pode ou não representar um patrimônio para a humanidade, uma vez reconhecida sua importância. Como exemplo temos o caso dos povos nativos indígenas e também das comunidades tradicionais (por exemplo as quebradeiras de coco e babaçu, castanheiros, seringueiros, entre outros). As práticas e os saberes só podem se preservar se houver preservação equivalente do meio em que vivem e tiram seu sustento desde seus ancestrais.


[1] Povos característicos da segunda e sobretudo da terceira etapa de ocupação do território, provenientes da Ásia. (FUNARI, NOELLI, 2002.P.63-64)

[2] Povos característicos da primeira etapa de ocupação do território brasileiro (até 12 mil AP.)(IBIDEM)

[3] Os autores não trazem os nomes científicos das plantas.

[4] Disponível em: https://portal.iphan.gov.br/dicionarioPatrimonioCultural/detalhes/85 último acesso em 21/03/2018

Plantas Medicinais /saúde e indústria farmacêutica

Das plantas medicinais às boticas. Das boticas aos laboratórios industriais. Como a saúde sofreu um processo de desapropriação-apropriação protagonizado por setores industriais?


O conhecimento das plantas locais através das gerações permitiu a cada população desenvolver bases medicamentosas para tratamento e curas para os males. A medicina ocidental, que tem raízes originadas na Grécia por Hipócrates é também baseada em plantas medicinais, em dietas e outras terapias complementares. Na antiguidade, a medicina era muito diferente do que se apresenta hoje.

"A medicina operava em três pilares: a cirurgia (práticas como sangrias e purgações), a farmácia (muito diferente dos medicamentos do nosso tempo) e a dieta (que não se limitava apenas à alimentação) (...) com exercícios físicos, massagens, banhos (...)" (SIGOLO, 2015. p. 77)

A medicina, a botânica e a farmácia puderam se desenvolver graças aos conhecimentos sobre a composição das plantas e do nosso organismo e de como interagem entre si.

O Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira é uma plataforma online que integra dados e informações sobre a biodiversidade e os ecossistemas de diferentes fontes, tornando-os acessíveis para usos diversos.

Todos os povos utilizaram-se das plantas não somente como alimento mas também como medicamento, bem como muitas outras formas de utilização de necessidade material, cultural ou religiosa.

A relação plantas-alimento-medicamento encontra-se nas mais diversas sociedades antigas. 

Segundo Flandrin e Montanari (1996, p.7):

"a maioria das plantas, frutas e ingredientes empregados para a alimentação, tempero e edulcoração são citados também nos livros de remédios dos médicos egípcios, grandes conhecedores dos segredos da farmacopeia e das propriedades das ervas medicinais"


As ervas consideradas medicinais entravam na dieta da alimentação em muitas sociedades. O Ayurveda, medicina tradicional baseada nos Vedas, da Índia, também considera o alimento como um medicamento.

"alimentação (no Ayurveda) tem importância fundamental. Não somente o que se ingere, mas como se prepara. Para eles, o equilíbrio entre o corpo, a mente e o espírito é a saúde do indivíduo (microcosmo) que tem relação com o macrocosmo pois são constituídos dos mesmos elementos." (SIGOLO, 2015. p. 37)

"A maior parte das plantas conhecidas hoje, cultivadas em hortas e usadas na preparação dos chás, não é nativa do Brasil .

A camomila, a melissa, o manjericão e o funcho, por exemplo, são originárias da Europa. A babosa, a guiné e o alecrim foram trazidos da África. Já a tanchagem, o capim cidreira e a citronela vieram da Ásia. 
Essas plantas foram introduzidas no país desde os primeiros tempos da colonização e integram hoje a fitoterapia brasileira.  
Desde 2002 a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que aquelas plantas medicinais utilizadas há séculos, especialmente as de origem Ameríndia, têm valor como medicamentos e devem ser aproveitadas. 
O objetivo do Banco de Dados e Amostras de Plantas Aromáticas, Medicinais e Tóxicas - DATAPLAMT - é pesquisar, recuperar e divulgar informações sobre as plantas medicinais nativas do Brasil .Esperamos, desta forma, contribuir para o melhor aproveitamento das plantas medicinais brasileiras e promover sua conservação." FONTE: SITE DATAPLAMT - Banco de dados e amostras de plantas aromáticas, medicinais e tóxicas da UFMG

Da noz de cola à coca-cola, qual a história? Uma maneira diferente de abordar o Necolonialismo na ´África e na Ásia.

Resíduos / Impactos/ Reciclagem / Sustentabilidade

Tudo que se joga no lixo é lixo? 

O que é lixo? Vocês sabem a diferença entre lixo e resíduo? O que são resíduos orgânicos? O que são resíduos recicláveis? Como se dá a separação de resíduos na casa de vocês? Como você observa e caracteriza a coleta do seu bairro? Quanto cada um produz de lixo diariamente? Temos mais resíduos orgânicos ou não orgânicos? Pra onde vai nosso descarte? Quanto você acha que custa seu lixo?  

Aqui você encontra uma apresentação de slides feita a partir de uma oficina oferecida pela CEPAGRO "Saber na prática", em 2017. Esta oficina foi base para uma aula sobre compostagem. 

A história também pode ser escrita a partir de objetos e outros "vestígios" deixados pelos humanos que ali viveram.  Esses resíduos são fontes de informações. A história pode ser escrita se soubermos ler esses vestígios.  O que poderia ser "lido" no futuro, a partir dos nossos resíduos, sobre nossa civilização?

Profª. Luciana dos Santos Menezes -  proluhistoria@gmail.com
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