
A PROPOSTA DOS EIXOS TEMÁTICOS
Alimentação:
tema base para múltiplas problematizações na Educação e no ensino de História
"A posição entre o homem e sua realidade não é crítica, mas ingênua. Ao aproximar-se da realidade o homem faz a "experiência da realidade", que não podemos chamar de conscientização(...)."
"A conscientização implica, pois, que ultrapassemos a esfera espontânea de apreensão da realidade para chegarmos a uma esfera crítica na qual a realidade se dá como objeto cognoscível e na qual o homem assume uma posição epistemológica"
(FREIRE, 2001. P. 30)
Por razões didáticas e metodológicas, o tema alimentação foi subdividido em quatro eixos temáticos, como mostra o quadro temático conceitual ao lado (e também mais abaixo): Indústrias e Consumo; Relações de Trabalho e Propriedade; Patrimônio Histórico; Produção de Alimentos e Meio Ambiente.
Cada eixo se desdobra em múltiplas outras temáticas e conceitos que se interligam e que podem ser objetos de problematizações e reflexões no ensino de história.
O intuito é, não somente ajudar a construir uma consciência sobre a realidade que nos cerca, mas também refletir sobre o processo constitutivo dessa realidade - sua historicidade e suas narrativas - como um campo a ser considerado no ensino de história.
Cada eixo temático abre perspectivas de debates e novos aprendizados. Para cada tema, múltiplas fontes e possibilidades de leituras do mundo, da realidade que nos cerca e da história.
QUEM EU ALIMENTO QUANDO ME ALIMENTO?
Esta é a pergunta a ser problematizada. A alimentação é um ato milenar histórico mas também atual e cotidiano. Hoje em dia, assume também características políticas de resistência à globalização além das já conhecidas identidades culturais, sociais, familiares, étnicas e religiosas que carrega em si historicamente. A proposta metodológica consiste em buscar perceber construções históricas a partir da realidade cotidiana.
O quadro temático e conceitual das relações alimentares (visto acima), elaborado para a proposta, não pretende ser fechado em si, nem tampouco dar conta de todas as temáticas e relações possíveis. É uma primeira possibilidade criada e apresentada com o intuito de se estabelecer mentalmente conexões entre um tema e outro e, a partir dessas possibilidades, criar e propor reflexões críticas e intervenções didáticas. O esquema apresenta as múltiplas possibilidades ao se utilizar a alimentação como tema axiológico para problematizações no ensino de história. Cabe ao professor criar as possibilidades em suas aulas.
O ensino de história não se encontra alheio a essas temáticas. Ao contrário, ela os abarca, sem distinção. Não podemos dizer que "tudo é história", mas podemos talvez dizer que tudo tem história. Cabe a nós, historiadores, pesquisadores e docentes fazermos, talvez, que a história esteja cada vez mais presente e fazer perceber o presente, segundo sua história.
Para que possamos compreender cada vez mais as partes do todo que compõem o presente suas construções e relações, faz-se necessário reconhecer as conexões entre as disciplinas. Segundo Morin ( 1996, p.5 ) no processo de ensino e aprendizagem seguimos em primeiro lugar, "um mundo formado pelo ensino disciplinar e, (...) o que existe entre as disciplinas é invisível e as conexões entre elas também são invisíveis", isto não significa que seja necessário conhecer somente uma parte da realidade, é preciso ter uma visão que possa situar o conjunto e percebê-la criticamente.
Nesse sentido, as pesquisas temáticas estão relacionadas a múltiplos aspectos da História: História ambiental, Patrimônio Histórico, História Cultural, História Social, História Política... escritas nas mais diversas linguagens, incluindo novos objetos como o cotidiano.
O QUADRO TEMÁTICO E CONCEITUAL

A ALIMENTAÇÃO EM EIXOS TEMÁTICOS PARA O ENSINO DE HISTÓRIA
A partir da percepção crítica da realidade - que poderá se efetivar por meio de estudos, debates e também por meio da reapropriação dos conhecimentos milenares práticos da horta - o educando poderá se permitir construir sua própria consciência sócio-histórica-política-cultural e alimentar, contribuindo para um processo de auto-empoderamento e de construção de uma cidadania soberana.
"Saber é poder. Essa afirmação resume nossa premissa. O saber é um dos pontos de sustentação da dominação, em todos os territórios das atividades humanas. E, no processo atual da globalização, o domínio do saber tecnológico é simbolicamente determinante das relações de poder. Há uma longa história de valorização e desvalorização dos conhecimentos, que marcou a relação entre as culturas dominantes e as dominadas. Esses conhecimentos são reproduzidos pelos sistemas educativos, que, para isso, utilizam o mecanismo da imposição de uma política educacional oficial, desde a época da dominação colonial e pós-colonial" José Marín. p. 129 Interculturalidade e descolonização do saber: relações entre saber local e saber universal. Visão Global, Joaçaba, v. 12, n. 2, p. 127-154, jul./dez. 2009
Os saberes sobre os alimentos foram uma conquista da humanidade


Subjetivamente penso que urge (re)conhecer nossa história, nossa territorialidade, nossa cultura, nossos saberes... e (re)construir nossos valores, de maneira autônoma e independente, nossa cidadania e nossa sociedade.
Acesse o material "Indústria e Consumo"; "Produção de Alimentos e Meio Ambiente"; "Relações de Trabalho e Propriedade"; "Patrimônio Histórico"


